Casa da Ermida de Santa Catarina

A Herdade da Rocha, onde se situam a Casa e a Ermida de Santa Catarina, ocupa grande parte de uma península banhada pelas águas da albufeira do Caia. Integrada na ” Rede Natura 2000″, é uma propriedade de grande beleza paisagística, com um território muito dobrado, onde habitam velhas azinheiras e convivem perdizes, coelhos, lebres, patos, cegonhas, várias aves de rapina, abibes, sisões, que convida à observação da natureza. Implantado numa língua de terra, vestida por um olival que se mete água a dentro, o Monte da herdade tem uma localização privilegiada. O projecto de adaptação de casa de habitação, a Casa de Campo, manteve a estrutura organizacional, com um corredor central a distribuir os 6 quartos situados a um e outro lado, só interrompido para criar território para a sala de jantar e a grande sala de estar, com pé direito total, que se abre a Poente, em vidro, sobre um alpendre, que está como que suspenso sobre a albufeira . O 1º piso cobre cerca de um terço da casa e é ocupado por uma grande suite com 100m2 , aberta a Nascente, para um outro alpendre, donde se abarca a albufeira e a Ermida de Santa Catarina. A Casa da Ermida, enquanto Casa de Campo envolvida pela albufeira, vive da terra a que pertence e da água que a rodeia e se avista de todos os lados.

Daí os materiais predominantes: betonilhas, rebocos caiados, telhas velhas de canudo, asnas de madeira e as tonalidades verde e azul água, que cobrem as madeiras e, nas casas de banho, dialogam com os pigmentos lusos, brasileiros e marroquinos, que dão cor às paredes, aos pavimentos, às banheiras e aos duches. A terra, o campo, está presente nos ancestrais utensílios agrícolas, usados como lavatórios, toalheiros, mesas de jogo e de centro, ou como peças de adorno. A água é lembrada pelos apetrechos de pesca que fazem os candeeiros de iluminação das casas de banho e da sala e o lustre da sala de jantar, pelas invulgares escamas cerâmicas vidradas de diferentes tonalidades de verde que formam painel na sala de jantar e pelos grandes peixes brasileiros que animam as paredes da sala. Dos puxadores de ferro e madeira das portas interiores, às grandes molduras dos espelhos das casa de banho forradas a zinco, aos apliques e aos biombos de caninha, tudo foi feito por artesãos, locais uns, de Almeirim, de Santarém ou de Arganil outros, de acordo com desenhos expressamente idealizados. O ambiente intimista que se vive na Casa da Ermida, decorre também dos móveis e dos objectos que a povoam e que, não tendo um grande valor material, testemunham o decurso de anos de recolha, em sótãos, arrecadações e feiras, em viagens feitas um pouco por todo o lado, sempre com o olhar atento. Do buffet do pequeno almoço, servido na bancada da sala de jantar e degustado na mesa grande, ou nas mesas da sala e do alpendre, com vista para a albufeira, constam as”dobradiças”, especialidade da doçaria de Stª Eulália. O paínho de porco preto, o queijo regional, as azeitonas e o pão, regados por um tinto alentejano, guarnecem a tábua de produtos regionais, à disposição dos amantes do pôr do sol sobre a água, do calor da chama da grande lareira da sala, ou de quem simplesmente não troca o remanso na Casa da Ermida, por uma incursão num dos bons restaurantes das imediações.

Um cesto de vime com tampas de levantar, contendo um piquenique , toalha e guardanapos de pano, é preparado para os que fazem passeios a pé, ou nos caiaques de 2 lugares, para observar a natureza, passar umas horas nas ilhas ou nas demais margens da albufeira, a descansar, a pescar ou a visitar a singela ermida manuelina de Santa Catarina, recuperada do estado de ruína em que se encontrava. Tal como foi pensada e posta a funcionar, a Casa da Ermida proporciona uma vivência muito própria de um Alentejo ainda muito preservado, onde a natureza se impõe por inteiro.